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Rabiscado por Beatriz dia 09/03/2011 às 19h14
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Arabian Nights
Para ler ouvindo Within You Without You (The Beatles).


E para mim você é uma deusa, talvez do oriente, me dando uvas na boca com um véu cobrindo seus lábios, mas deixando seus imensos olhos verdes de fora. Beijo as cicatrizes do seu pulso, ajoelho na frente de uma escola inteira só para te pedir em casamento, falo vinte e cinco horas por dia que te acho a menina mais especial do mundo com seu violão, seu corpo de garota e o papel e a caneta dentro da sua bolsa. E fico bobo de ver como você é linda e ainda assim me espera há oito meses, você é linda e me espera de aliança no dedo, fico querendo enfiar a cara nos seus cabelos, beijar seus olhos quando eles estiverem molhados de choro, tenho vontade de batucar na sua coxa enquanto você solta essa voz bonita de contralto cantando para mim.
Você é uma deusa, do oriente talvez, e mexe os quadris enlouquecidamente ao som de uma música do George Harrison tentando agradar a mim – a mim! Você me trata como um sultão, mas eu sei (e talvez você também saiba, por baixo desse coraçãozinho louco de paixão) que eu sou um bobo, um louco, não chego aos pés de Sherazade, sou um artista/desenhista/poeta que te ama acima de todas as coisas e só vai deixar de te amar se a minha avó virar uma bicicleta.


Rabiscado por Beatriz dia 02/03/2011 às 15h37
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The Killing Moon


Andava com seus passos longos e apressados. Tinha um encontro com o objeto de seu desejo. Entretanto, ela não sabia que era objeto do desejo de alguém. Justamente por isso, ele ia pegá-la de surpresa, recitar os mais lindos poemas já escritos e, por fim, conquistá-la.
Chegou na praça, que estava escura e cheirava à damas-da-noite. Sabia que sua amada era mais bela e perfumada que qualquer uma das flores, mas colheu um ramalhete para ela mesmo assim. Tirou um papel dobrado do bolso e procurou-a; por alguns segundos, sentiu-se tolo com as flores e o papel na mão; mas logo passou essa desagradável sensação.
Achou-a, no alto do céu, encoberta por nuvens redondas e esfumaçadas. A lua estava lá, brilhando num branco anormalmente cegante. Ele sorriu e olhou-a com as pupilas dilatadas. Ofereceu as flores ao vento e desdobrou o papel. Recitou em voz alta para que sua amada lua cheia, porém escondida dentre as nuvens, ouvisse a vários anos-luz de distância.

“És tão gentil
Coberta de luz
Ilumina-te
Ilumina-me

Se tuas amigas salpicadas
As estrelas, desalmadas
Aconselham-te a me deixar
Penses com carinho
Pois eu estou destinado
A, somente, te amar

Lembre-te-tu que não sou o rato
Que tu gentilmente dispensaste
E encaminhaste para a nuvem
Oh, lua!
Num ato o rato te trocou
Foi embora
Nunca mais voltou

Lembre-te-tu que não sou assim
Amo a ti
Somente a ti
Oh, lua
Coberta de luz
Ilumina-me
Que
Ilumino a ti”.

Ele tirou os olhos do papel e olhou para cima: a lua estava descoberta.
E foi a visão mais linda do mundo ver sua amante despida de sua camada de roupa do mais puro algodão, o algodão divino, dos céus.
A lua, nua, sorria para ele. E, a cada noite que passava, ele se encontrava mais apaixonado, independentemente das quatro formas que ela escolhesse usar na noite em questão.
- Case-se comigo! Eu amo você! Quero fazer você minha! – berrou o rapaz.
Ela fechou o sorriso no mesmo instante. As nuvens, suas cúmplices, voltaram a lhe cobrir.
Aquele jogo tinha regras: ele teria que se contentar com o silêncio da sua noiva, aceitar a distância entre a Terra e o espaço. Não tinha o direito de querer ou ordenar nada.
Fadado a ser um louco para o resto da eternidade, sempre frustrado com a indiferença silenciosa que seu amor demonstrava.

Conformaria-se.


Rabiscado por Beatriz dia 15/02/2011 às 13h54
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Retroalimentação


O futuro é analógico. 

- Acho que você não me ama mais.
- Como você pode falar isso? Eu sou louco por você. Adorei o que você escreveu para mim, sabia?
- Eu sempre escrevo para você. Você nunca liga.
- Pára. Assim você está me magoando.
- Desculpa.
- (...)
- (...)
- (...)
- Como era com ela?
Pausa.
- Era sobre ela. O tempo todo.
- E na cama?
- Sobre ela, o tempo todo.
- Sinto falta de dividir a cama com você.
- Eu também. Muita.
- O que está acontecendo com a gente?
- Sei lá. “E o prêmio de casal mais chato do ano vai para...
- “Amor! Nós ganhamos!”.

Risos. Inundações. Delírios.

Cíclico.


Rabiscado por Beatriz dia 12/02/2011 às 11h52
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         Skeletons

                Gritando para o vazio, desamparada, chorosa, descabelada.
                Me pega, me cuida, me põe no colo, não deixa eu te convencer que estou bem, não me deixa sem explodir, não me deixa seca, fica comigo, dorme abraçado, enxugue minhas lágrimas, deixo até você lamber minha cara e meu queixo salgado se você ficar.
                “Cuidado. Não seja devorado por sereias... O mar é terreno perigoso, vá somente até onde te der pé.”
                Clique.
                “Não estou legal, me leva pra casa?”

                Berrando em silêncio com os olhos grandes e os cabelos curtos: “ME DÁ COLO, ME DÁ COLO, ESTOU CARENTE, SINTO SUA FALTA!”
                A serenidade se foi, resta o signo do desespero.
                “Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal por dezenove horas seguidas.”
                “Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal por cinco horas seguidas.”

                
- Você vai me trocar pelo seu amigo inteligente.
                - Ai, Deus... Não vou, já disse que não vou! Você é que vai achar uma mulher, uma mulher de verdade, e ainda por cima mais bonita e interessante.
                Dois atores, em uníssono:
                - Essa pessoa não existe. Eu amo só você, e para sempre.

                Confusão, desamparo, carência.
                Me exalta...

 


Rabiscado por Bia dia 02/02/2011 às 20h36
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